Procedimento — Retina clínica Anti-VEGF · Retinopatia diabética
Leitura · 8 min Material clínico · Dr. Ahmad Hamade

Anti-VEGF e Retina.

A medicina moderna da retina diabética cabe numa gota — entregue no lugar certo.

01 · Princípio

O que é anti-VEGF.

Sob a sigla VEGF — Vascular Endothelial Growth Factor — está a molécula central de quase todo dano vascular crônico da retina diabética. Em condições normais, o VEGF cumpre função discreta: regula a manutenção de vasos saudáveis. Quando a retina sofre isquemia — quando os capilares fecham, deixando áreas do tecido sem oxigênio —, o VEGF dispara em concentrações altíssimas. É um sinal de socorro químico. E é exatamente esse sinal que, em excesso, produz duas catástrofes paralelas: extravasamento de fluido pelos capilares já existentes (gerando o edema macular) e brotamento de vasos novos, frágeis e sangrantes (a neovascularização da retinopatia proliferativa).

Anti-VEGF é, em uma frase, um anticorpo (ou fragmento, ou proteína-armadilha) desenhado para se ligar ao VEGF circulante e neutralizá-lo antes que ele encontre seu receptor. Quando aplicado dentro do olho — diretamente na cavidade vítrea, a poucos milímetros da retina —, o efeito local é dramático: em dias, o vazamento desliga; em semanas, o edema macular cede; em meses, vasos neoformados regridem. A retina volta a ter alguma chance de funcionar.

Não é uma cura. O VEGF continua sendo produzido enquanto a doença diabética persistir. Por isso o tratamento é seriado, com reavaliações regulares — uma medicina de regularidade, não de heroísmo.

02 · Indicações

Quando indico em diabetes.

Há três cenários clínicos clássicos em que o anti-VEGF é a primeira escolha — e um quarto, mais raro, em que é o único caminho:

Edema macular diabético (DME) — primeira linha

Esta é, de longe, a indicação mais comum. Quando o líquido se acumula nas camadas centrais da retina — visível no OCT como cistos hiporrefletivos, espessamento foveal além de 300–320 µm e desorganização das camadas internas — a recomendação atual, calcada nos protocolos do DRCR.net (Diabetic Retinopathy Clinical Research Network) e em séries como RIDE/RISE, VISTA/VIVID e mais recentemente YOSEMITE/RHINE, é começar por anti-VEGF. O laser focal, que dominou a década de 1980 (era do estudo ETDRS), passou a ser adjuvante: ainda útil em edemas extrafoveais persistentes, mas raramente como tratamento isolado.

Retinopatia diabética proliferativa (PDR) — alternativa ou complemento ao laser

Por décadas, a panfotocoagulação a laser (PRP) foi o padrão de ouro absoluto para a forma proliferativa — e segue sendo um pilar. O DRCR.net Protocol S, contudo, demonstrou que o ranibizumabe isolado é não-inferior à PRP em dois anos, com melhor preservação da visão periférica e do campo visual. Na prática, o anti-VEGF é hoje uma escolha legítima — sozinho ou combinado com PRP — em pacientes selecionados, especialmente quando há edema macular concomitante, hemorragia vítrea recente ou recusa ao laser.

Glaucoma neovascular

Quando a isquemia retiniana é tão extensa que estimula o crescimento de vasos sobre a íris (rubeose iridiana) e bloqueia o escoamento do humor aquoso, instala-se o glaucoma neovascular — um dos mais agressivos. O anti-VEGF, aplicado de urgência, regride os neovasos da íris em dias e abre janela para o controle da pressão e para a panfotocoagulação completa.

Hemorragia vítrea pré-cirúrgica

Em olhos com hemorragia vítrea por PDR avançada, uma injeção pré-operatória de anti-VEGF reduz o sangramento intraoperatório durante a vitrectomia — uma sinergia entre clínica e cirurgia que tornou a vitrectomia diabética significativamente mais segura na última década.

03 · Fármacos

Os quatro fármacos disponíveis no Brasil.

A escolha entre os anti-VEGFs nunca é trivial. Eles diferem em mecanismo, em meia-vida intraocular, em afinidade pelo VEGF, em registro regulatório e — não menos importante — em custo. Conhecer cada um é parte do que torna a indicação personalizada.

Avastin · off-label

Bevacizumabe

1,25 mg / 0,05 mL Uso fracionado

Anticorpo monoclonal anti-VEGF-A completo, originalmente aprovado em oncologia. Em oftalmologia é utilizado off-label, com fracionamento por farmácia de manipulação certificada. O DRCR.net Protocol T mostrou eficácia comparável ao ranibizumabe em pacientes com acuidade entre 20/32 e 20/40, com custo várias ordens de grandeza menor. Pilar do tratamento no SUS e em pacientes sem cobertura.

Lucentis · ANVISA

Ranibizumabe

0,5 mg / 0,05 mL Mensal · loading

Fragmento Fab humanizado, desenhado especificamente para uso intraocular. Foi o primeiro anti-VEGF aprovado no Brasil para edema macular diabético. Os estudos RIDE e RISE consolidaram a indicação em DME com posologia mensal nos primeiros meses, seguida de manutenção. Tem o histórico clínico mais longo no contexto brasileiro e é amplamente coberto por planos.

Eylea · ANVISA

Aflibercepte

2 mg / 0,05 mL Intervalo até 8s

Proteína de fusão que funciona como armadilha (VEGF-trap): bloqueia VEGF-A, VEGF-B e o fator de crescimento placentário (PlGF) com afinidade muito alta. Os estudos VISTA e VIVID mostraram resultados robustos em DME com esquema flexível. Em pacientes com acuidade pior (≤20/50), o Protocol T sugeriu pequena vantagem do aflibercepte sobre ranibizumabe e bevacizumabe no primeiro ano.

Vabysmo · ANVISA

Faricimabe

6 mg / 0,05 mL Até 16s · biespecífico

Primeiro anticorpo biespecífico para uso intraocular. Bloqueia VEGF-A e angiopoietina-2 (Ang-2) — duas vias paralelas da inflamação vascular retiniana. Os estudos YOSEMITE e RHINE demonstraram que cerca de metade dos pacientes consegue intervalos de 16 semanas após a fase de carga. Mudou a expectativa do que é possível em durabilidade.

04 · Decisão

Como escolho entre eles.

A decisão entre os quatro fármacos raramente cabe em um algoritmo rígido. Considero, em conjunto:

  • Padrão de edema no OCT — edemas predominantemente exsudativos com cistos volumosos respondem bem a qualquer anti-VEGF; edemas resistentes podem se beneficiar do switch para aflibercepte ou faricimabe, com seu bloqueio mais amplo.
  • Acuidade visual inicial — em pacientes com visão pior (≤20/50), a evidência aponta para vantagem do aflibercepte e do faricimabe.
  • Resposta a tratamentos prévios — quando bevacizumabe ou ranibizumabe não controlaram após três a seis doses, o switch para uma molécula com bloqueio Ang-2 ou pan-VEGF passa a ser indicado.
  • Custo e cobertura do plano — ranibizumabe, aflibercepte e faricimabe estão no rol da ANS para DME; bevacizumabe permanece off-label, mas com custo particular muito inferior.
  • Tolerância do paciente ao número de visitas — para pacientes em quem agendar uma injeção mensal é socialmente inviável, faricimabe ou aflibercepte oferecem maior espaçamento.
  • Urgência clínica — em hemorragia vítrea pré-cirúrgica ou glaucoma neovascular, qualquer molécula resolve no curto prazo; o que importa é não atrasar.

Esta decisão é discutida com o paciente em consulta — não é imposta. Toda alternativa tem trade-off, e quem escolhe é quem terá de sustentar a regularidade do tratamento.

05 · Procedimento

Como é a injeção.

Quem nunca passou pela experiência tende a imaginar algo dramático. Não é. A injeção intravítrea é, na rotina de um centro de retina, um dos procedimentos mais bem padronizados que existem — feito em poucos minutos, em sala estéril, com o paciente acordado e sem qualquer sedação:

  1. Preparo — anestésico em colírio é instilado três vezes no olho a tratar. Pode haver leve ardor.
  2. Antissepsia — iodopovidona aquosa a 5% é aplicada na superfície ocular e pálpebras. Esta é a etapa que mais reduz o risco de endoftalmite.
  3. Blefarostato — um pequeno afastador mantém as pálpebras separadas. Você só precisa olhar para uma direção combinada.
  4. Aplicação — com agulha 30G (mais fina que a usada para insulina), o anti-VEGF é injetado pela pars plana, a 3,5 a 4 mm do limbo, em zona segura — longe da retina, longe do cristalino. Dura segundos.
  5. Final — colírio antibiótico, o blefarostato é retirado, e o olho é lavado com soro estéril. O paciente sai pelo próprio pé.

Material detalhado, com orientações de pré e pós-procedimento, está disponível no folheto da injeção intravítrea, que costumo entregar impresso ao final da primeira consulta.

06 · Dor

E dói?

Não dói propriamente. O olho está anestesiado em superfície e a câmara vítrea é uma região com pouquíssimas terminações nervosas. O que se sente, no momento da picada, é uma pressão breve — descrita como “um toque firme” — e, nas horas seguintes, alguma ardência e sensação de areia, fruto não da injeção em si mas da iodopovidona da assepsia. Essa ardência cede totalmente em 12 a 24 horas, especialmente com lágrimas artificiais sem conservante.

Pacientes que já fizeram a primeira injeção quase sempre voltam para a segunda surpresos com o quanto temeram. A ansiedade prévia é o pior — e é por isso que vale a pena conversar com quem já passou.

07 · Esquema

Quantas injeções vou precisar?

A pergunta legítima — e a mais difícil de responder no consultório. Depende do diagnóstico, da resposta inicial e do controle metabólico. Há, contudo, ordens de grandeza honestas que posso compartilhar com base na literatura e na minha experiência:

  • Edema macular diabético — em média 5 a 7 injeções no primeiro ano (geralmente 3 a 5 mensais consecutivas seguidas de manutenção). No segundo ano, o número costuma cair para 3 a 5 doses. No terceiro ano, para 1 a 3, em pacientes estáveis.
  • Retinopatia diabética proliferativa — quando o anti-VEGF é usado isoladamente (Protocol S), a média do primeiro ano gira em torno de 7 doses; com PRP combinada, costuma ser inferior. Em alguns casos, uma série inicial controla a neovascularização e o tratamento pode ser pausado.
  • Glaucoma neovascular — dose inicial seguida de panfotocoagulação. O anti-VEGF é ponte, não tratamento permanente.

Estes são números médios. Há pacientes que fazem 3 doses no primeiro ano e nunca mais; e há pacientes que precisam de 9 a 12 anuais. A diferença entre os dois extremos é, em parte, biologia individual — em parte, controle do diabetes.

08 · Esquemas

Mensal, treat-and-extend ou PRN.

Existem três grandes filosofias de manutenção, cada uma com vantagens e armadilhas:

Mensal fixo (monthly dosing)

Esquema mais usado nos ensaios clínicos pivotais (RIDE/RISE, VISTA/VIVID). Uma dose a cada 4 a 6 semanas, independentemente da resposta. Vantagem: máximo controle anatômico. Desvantagem: alta carga de visitas e custo, frequentemente insustentável fora do ambiente do estudo.

Treat-and-extend

Estratégia hoje predominante. Após uma fase inicial de carga (3 a 5 mensais), o intervalo é estendido em 2 semanas a cada injeção bem-sucedida — desde que o OCT permaneça seco e a acuidade estável. Em recidiva, o intervalo retorna ao último seguro. Permite individualização sem perder vigilância. É o esquema natural do faricimabe, que pode chegar a 16 semanas, e do aflibercepte, que tipicamente atinge 8 a 12 semanas.

PRN (pro re nata)

Tratamento sob demanda: paciente é avaliado com OCT a cada 4 a 6 semanas e injeta-se apenas quando há evidência de atividade. Demanda alta adesão a consultas e tende a sub-tratar pacientes que faltam às visitas. É o esquema com maior risco de perda visual silenciosa em retinopatia diabética e por isso uso com parcimônia.

09 · Pós-injeção

No dia seguinte e na semana.

A recuperação é trivial em mais de 99% dos casos. Você pode voltar para casa imediatamente, retomar refeições e atividades comuns. Recomendo:

  • Colírio antibiótico — moxifloxacino ou similar, 4x ao dia por 3 dias.
  • Lágrima artificial sem conservante — alivia a ardência da iodopovidona nas primeiras horas.
  • Não esfregar o olho — pelas primeiras 48 horas.
  • Evitar piscina, mar e sauna por 7 dias — risco de contaminação durante o fechamento do ponto de entrada.
  • Evitar maquiagem nos olhos por 7 dias — mesmo motivo.
  • Pequena hemorragia subconjuntival (mancha vermelha) é frequente e some sozinha em 1 a 2 semanas.
  • Moscas volantes (pequenos pontos escuros) podem aparecer no primeiro dia e somem em 24 a 48 horas.

Sinais de alerta — quando ligar imediatamente: dor crescente nas primeiras 72 horas, vermelhidão muito intensa, secreção purulenta, queda súbita da visão, sensibilidade extrema à luz. Esses sinais, juntos ou isolados, podem indicar endoftalmite — complicação raríssima (1 em 2.000 a 1 em 5.000 injeções), mas tratável quando reconhecida em horas.

10 · Eficácia

O que espera-se em ganho de visão.

Os números a seguir vêm dos ensaios pivotais. São ordens de grandeza, não promessas individuais:

  • RIDE/RISE (ranibizumabe em DME, 24 meses): cerca de 40%–45% dos pacientes ganharam ≥3 linhas de acuidade visual; o ganho médio foi de aproximadamente 11 letras ETDRS.
  • VISTA/VIVID (aflibercepte em DME, 100 semanas): ganho médio próximo de 11 a 13 letras, com 30%–40% ganhando ≥3 linhas.
  • YOSEMITE/RHINE (faricimabe em DME, 1 ano): não-inferioridade ao aflibercepte em ganho de visão, com cerca de metade dos pacientes em intervalo de 16 semanas — uma redução substancial de injeções.
  • DRCR.net Protocol T (comparação direta): em acuidades 20/50 ou pior, aflibercepte teve vantagem de 4 a 5 letras sobre bevacizumabe no primeiro ano (diferença reduzida no segundo ano).

Em termos práticos, divido pacientes em três grandes grupos após o primeiro ano de tratamento: aproximadamente 50% a 70% ganham linhas de acuidade, 20% a 30% estabilizam sem ganho expressivo (mas sem perda — vitória disfarçada) e 10% a 15% têm resposta parcial ou nula, exigindo reavaliação, switch de fármaco ou associação com laser/vitrectomia.

11 · Limitações

O que o anti-VEGF não faz.

Como em toda terapia poderosa, o anti-VEGF tem limites que merecem ser ditos sem rodeios:

Não cura a retinopatia. Controla. Suprime o estímulo biológico (o VEGF), mas não reverte os capilares que já fecharam, nem regenera fotorreceptores que já degeneraram, nem corrige a glicação dos vasos. Diabetes mal controlada continuará produzindo retinopatia — e o anti-VEGF, sozinho, é uma represa contra um rio que só aumenta.

Não substitui o controle metabólico. Um paciente com hemoglobina glicada acima de 9% terá resposta significativamente pior do que um paciente com glicada entre 6,5% e 7,5%. Pressão arterial elevada, dislipidemia e tabagismo somam-se ao prejuízo. Isso não é juízo de valor — é fisiopatologia.

Não cobre todas as complicações. Tração vitreorretiniana, descolamentos tracionais, membrana fibrovascular madura — estas pedem cirurgia, não injeção.

Tem efeito que regride. Suspender o tratamento por meses, em paciente ainda ativo, leva a recidiva quase certa. Por isso a regularidade do acompanhamento é tão importante quanto a primeira dose.

12 · Combinações

Anti-VEGF + laser + vitrectomia.

A retina diabética raramente é tratada por uma única ferramenta. As três modalidades — injeção, laser, cirurgia — convivem e dialogam:

  • Anti-VEGF + laser focal em DME refratário com pontos de exsudação extrafoveais bem definidos.
  • Anti-VEGF + panfotocoagulação (PRP) na PDR com componente isquêmico extenso, especialmente em pacientes com baixa adesão a tratamentos seriados — o laser é uma defesa permanente, mesmo se as injeções vierem a cessar.
  • Anti-VEGF pré-vitrectomia em hemorragia vítrea ou descolamento tracional — reduz neovasos ativos e diminui o sangramento intraoperatório, tornando a vitrectomia diabética consideravelmente mais segura.
  • Vitrectomia em casos selecionados com edema macular tracional persistente — quando há membrana epirretiniana ou hialoide aderida tensionando a mácula, nenhuma injeção resolve sozinha.

A escolha não é “anti-VEGF versus outra coisa”, mas “qual o melhor encadeamento agora”. Ela muda ao longo do tempo no mesmo olho, no mesmo paciente.

13 · Custo

Quanto custa e o que cobre.

A faixa de preço varia de forma significativa conforme a droga escolhida e o plano de saúde:

Bevacizumabe (Avastin)
No particular, custo da menor faixa entre os anti-VEGFs (uso fracionado em farmácia certificada). Não coberto por planos de saúde por ser off-label em oftalmologia. Disponível no SUS em alguns serviços especializados.
Ranibizumabe (Lucentis)
Coberto pelo rol da ANS para edema macular diabético com indicação formal e laudo médico. Custo particular significativamente maior que o bevacizumabe.
Aflibercepte (Eylea)
Coberto pelo rol da ANS para DME. Custo particular semelhante ao ranibizumabe.
Faricimabe (Vabysmo)
Aprovação ANS recente para DME. Custo particular hoje na faixa mais alta entre os quatro, justificado em parte pelo maior espaçamento entre doses ao longo do ano.
Aplicação · honorário
Procedimento médico de aplicação tem código próprio no rol da ANS (CBHPM 4.10.04.07-9 — injeção intravítrea de medicação) e é cobrado separadamente do custo da droga.

Os valores particulares são informados em consulta e variam conforme insumos do mercado. O escritório auxilia, quando necessário, na elaboração do laudo formal de solicitação ao plano de saúde.

A injeção intravítrea de anti-VEGF mudou a história natural da retinopatia diabética. Pela primeira vez em um século, foi possível, em larga escala, preservar a visão central — não apenas estabilizá-la.

Dr. Ahmad Hamade · Retina clínica e cirúrgica
14 · Próximo passo

Avaliar com calma antes de injetar.

A primeira injeção começa antes da agulha — começa na consulta, com mapeamento de retina, OCT macular e, quando indicado, angiofluoresceinografia ou OCT-A. É a leitura de imagem que define se o anti-VEGF é a primeira escolha, e qual deles. Atendo casos de retinopatia diabética em Campinas (Cambuí) e em São Paulo (Pari).

Próximo passo

Trazer seu OCT e conversar — sem pressa.

Dúvidas frequentes

O que os pacientes perguntam.

O efeito do anti-VEGF é permanente?

Não. O anti-VEGF controla — não cura. O fármaco é metabolizado em semanas e o VEGF tende a voltar a subir enquanto a doença diabética persistir. Por isso o tratamento é seriado, com reavaliações periódicas. Uma minoria de pacientes consegue espaçar muito as doses ou suspendê-las após estabilização prolongada, mas isso é decisão clínica baseada em OCT seriado.

A injeção intravítrea dói?

Não dói propriamente. O olho é anestesiado com colírio. Você sente uma leve pressão no momento da aplicação e pode haver ardência ou sensação de areia por algumas horas, devido à iodopovidona da assepsia. A maioria dos pacientes descreve como desconfortável, mas tolerável — bem distante do que se imagina por uma "injeção no olho".

Quantas doses preciso fazer?

Depende. Em edema macular diabético (DME), a média é de 5 a 7 injeções no primeiro ano (loading inicial + manutenção), e tende a reduzir nos anos seguintes se a doença se estabiliza. Em retinopatia proliferativa às vezes uma série inicial controla a neovascularização. O número exato é definido caso a caso pela resposta no OCT e pela acuidade visual.

Qual é o melhor remédio: Lucentis, Eylea, Avastin ou Vabysmo?

Não existe um "melhor" universal. O DRCR.net Protocol T mostrou que para acuidades muito ruins (20/50 ou pior), o aflibercepte teve leve vantagem; para acuidades melhores, todos foram comparáveis. O faricimabe permite intervalos maiores. A escolha considera padrão de edema, resposta prévia, custo e cobertura do plano. É decisão individualizada.

Plano de saúde cobre anti-VEGF para diabetes?

Sim. Ranibizumabe, aflibercepte e faricimabe estão no rol da ANS para edema macular diabético, com indicação formal e laudo médico. O bevacizumabe é off-label e geralmente não é coberto pelos planos, mas tem custo significativamente menor no particular. A operadora pode exigir relatório com OCT e acuidade visual.

O Avastin é seguro para uso no olho?

Sim, com ressalvas. O bevacizumabe é amplamente usado off-label em oftalmologia há mais de uma década, com perfil de eficácia comparável ao ranibizumabe (DRCR.net Protocol T). O risco aumenta quando o fracionamento é feito em farmácias sem certificação — o que é evitado em centros com farmácia de manipulação qualificada. No Brasil é prática consolidada e segura.

Há risco de infecção na injeção intravítrea?

Existe, mas é baixíssimo: o risco de endoftalmite após injeção intravítrea fica em torno de 1 em 2.000 a 1 em 5.000 aplicações em centros que seguem o protocolo de assepsia (iodopovidona 5% e técnica estéril). Por isso o pós-operatório com colírio antibiótico, evitar piscina e atenção aos sinais de alerta — dor crescente, vermelhidão intensa, secreção, queda da visão — são levados a sério.

Posso parar o tratamento se a visão melhorar?

Não por conta própria. A retinopatia diabética não regride sozinha, e o edema tende a voltar quando o anti-VEGF perde efeito. O que se pode fazer, em pacientes estáveis, é espaçar as doses (esquema treat-and-extend) ou pausar com vigilância apertada. Suspensão definitiva depende de estabilização anatômica prolongada no OCT, controle metabólico bom e decisão compartilhada.

Preciso de companhia para o procedimento?

Não é obrigatório, mas é recomendado. A injeção em si dura minutos e você sai pelo próprio pé, sem sedação ou jejum. Mas a visão pode ficar borrada nas primeiras horas pelo colírio dilatador e pela iodopovidona, e dirigir não é prudente no mesmo dia. Vir com alguém — ou usar transporte por aplicativo — é o mais sensato.

O outro olho pode ser afetado por uma injeção feita em um dos olhos?

Não pelo procedimento em si: a injeção é local, contida na cavidade vítrea do olho tratado. Mas a retinopatia diabética é bilateral por natureza — o diabetes afeta os dois olhos, e é comum ambos precisarem de tratamento, não simultaneamente. Por isso o acompanhamento sempre inclui mapeamento e OCT dos dois olhos, mesmo quando só um está sintomático.

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