Exame · Diabetes Página de procedimento · Dr. Ahmad Hamade
Leitura · 8 minutos

O Exame que Salva a Visão.

Em quinze minutos, vemos o que dez anos de diabetes fizeram com a sua retina.

02

Por que diabéticos precisam deste exame.

A retinopatia diabética é a principal causa evitável de cegueira em adultos em idade produtiva no Brasil. E a sua característica mais cruel é o silêncio. Nas fases iniciais — quando o tratamento ainda é fácil, barato e altamente eficaz — a doença não dói, não embaça e não mancha a visão. O paciente continua enxergando bem enquanto a retina já está se desestruturando por dentro. Quando o sintoma chega, em geral já há hemorragia vítrea, edema macular ou descolamento tracional, e a janela de tratamento curativo passou.

É por isso que o exame de fundo de olho não é uma formalidade burocrática, é o único instrumento clínico que captura a doença antes que ela cobre o preço. Com pupila dilatada, retinografia colorida e OCT macular, conseguimos ver microaneurismas de 20 micrômetros, exsudatos duros, áreas isquêmicas, edema subclínico — sinais que precedem o sintoma em meses ou anos.

A American Diabetes Association, a Sociedade Brasileira de Diabetes e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia recomendam que todo paciente com diabetes faça avaliação oftalmológica completa logo no diagnóstico em DM2, e a partir do quinto ano da doença em DM1 (ou aos 11 anos, o que vier antes). E a partir daí, em frequência ditada pelo estágio da retinopatia. Não é exagero — é o protocolo que existe porque cegueira por diabetes é evitável quando se enxerga cedo.

03

O que compõe o exame.

Um exame oftalmológico completo para diabético não é apenas "fundo de olho". É uma sequência de medições e imagens que, juntas, formam o mapa funcional e estrutural do olho. Cada item tem um papel específico:

  • Acuidade visual. Tabela de Snellen, com e sem correção. Mede o quanto o paciente enxerga hoje. Queda de uma linha pode ser o primeiro indício de edema macular.
  • Refração. Computadorizada e subjetiva. Diabéticos descompensados têm flutuação de grau, e a refração mostra se o embaçamento é por glicemia oscilando ou por retina.
  • Pressão intraocular. Tonometria de aplanação ou de sopro. Essencial porque diabetes eleva o risco de glaucoma neovascular em retinopatia avançada.
  • Biomicroscopia. Lâmpada de fenda. Avalia córnea, íris e cristalino. Catarata é mais comum e mais precoce em diabéticos, e às vezes é o que está embaçando — não a retina.
  • Fundoscopia indireta com pupila dilatada. O gold standard. O médico examina diretamente a retina com lente e oftalmoscópio, varrendo do polo posterior até a periferia. Detecta hemorragias, exsudatos, microaneurismas, neovasos, áreas de isquemia.
  • Retinografia colorida. Foto de alta resolução do fundo do olho. Documenta o estado atual e permite comparação ano a ano. É o que dá objetividade ao seguimento.
  • OCT macular. Tomografia de coerência óptica. Faz um corte microscópico da mácula e mede edema com precisão de mícrons — detecta edema antes que o paciente sinta qualquer sintoma.
  • OCT-Angiografia (OCT-A). Angiografia sem contraste, sem injeção. Mostra a circulação capilar da retina, áreas de não-perfusão e zonas isquêmicas. Substitui em parte o exame com contraste.
  • Angiofluoresceinografia (quando indicado). Injeção endovenosa de fluoresceína, com sequência fotográfica. Indicada em retinopatia avançada, suspeita de neovasos e planejamento de laser. Não é rotina — é exame dirigido.
04

Como é feito, passo a passo.

A consulta inteira é organizada para o paciente diabético em uma única manhã ou tarde. Quem chega de fora — Campinas vindo de São Paulo ou vice-versa — costuma fazer tudo no mesmo dia.

1. Chegada e anamnese

Recepção, breve formulário, conferência de planos. Em seguida, conversa clínica: tempo de diabetes, tipo (1 ou 2), insulina ou medicação oral, último HbA1c, comorbidades (hipertensão, dislipidemia, doença renal), histórico ocular, sintomas atuais. Essa conversa demora cerca de 10 a 15 minutos e direciona o restante do exame.

2. Acuidade, refração e pressão

Acuidade visual em tabela, refração computadorizada e refinamento subjetivo, tonometria. Conjunto rápido — cerca de 10 minutos — que estabelece o estado funcional basal.

3. Colírio cicloplégico — espera

Instilação de colírio para dilatar a pupila. Pode arder por dois a três segundos. A partir daí, espera de 15 a 20 minutos para a pupila atingir dilatação adequada. Esse tempo é aproveitado em sala confortável, com café e leitura. Não há jeito de pular essa etapa — sem pupila dilatada, a periferia retiniana não é acessível.

4. Imagens — retinografia e OCT

Com pupila dilatada, fazemos a retinografia colorida (uma foto rápida de cada olho), o OCT macular (15 segundos de captura por olho) e, se indicado, o OCT-A. Tudo indolor, tudo sem contato direto com o olho. O paciente apoia o queixo no aparelho e fixa um ponto de luz.

5. Fundoscopia indireta

O Dr. Hamade examina pessoalmente os dois olhos com oftalmoscópio binocular indireto e lente de 20 ou 28 dioptrias. O paciente fica deitado ou reclinado, olha em direções diferentes conforme orientação, e o médico varre toda a retina, do polo posterior até a periferia mais distante. Demora cerca de 5 a 8 minutos por olho.

6. Conversa de resultados

Tudo pronto, voltamos ao consultório. O Dr. Hamade abre as imagens na tela, explica o que está vendo, classifica o estágio, define o plano e entrega laudo escrito. Aqui o paciente pergunta tudo o que precisa, sem pressa. Essa conversa é o coração do encontro.

05

Quanto tempo demora.

O exame completo, do momento em que o paciente entra no consultório até o momento em que sai com laudo na mão, leva entre 40 e 60 minutos. A maior fatia é a espera dos colírios fazerem efeito (15-20 minutos). As medições e imagens consomem cerca de 15-20 minutos. A conversa de resultados, mais 10-15 minutos. Em casos com angiofluoresceinografia, somar mais 30-40 minutos.

Reserve a manhã ou a tarde inteira. Não programe compromisso importante para logo após — você sairá com pupila dilatada e visão de perto embaçada.

06

Posso dirigir depois?

Não. A pupila fica dilatada por 4 a 6 horas após o colírio cicloplégico. Nesse período, três coisas acontecem: a visão de perto fica embaçada (o cristalino perde a capacidade de focar para perto), a sensibilidade à luz aumenta drasticamente (fotofobia importante mesmo em dia nublado), e o ajuste fino da visão de longe pode oscilar.

Por isso, três opções razoáveis: (1) venha com acompanhante que dirija no retorno; (2) venha em transporte por aplicativo — Uber ou 99 — e volte da mesma forma; (3) traga óculos escuros bem escuros e use transporte público. Não dirija sob nenhuma hipótese, mesmo se sentir que está enxergando bem — a fadiga ocular e a fotofobia comprometem o tempo de reação no trânsito.

07

O exame doi?

Não. Em nenhum momento. A tonometria usa colírio anestésico antes do contato; a retinografia e o OCT são captados sem encostar no olho; a fundoscopia é feita com luz e lente, sem toque. O único desconforto possível são os colírios — anestésico para tonometria e cicloplégico para dilatar — que podem arder por dois a três segundos no momento da instilação. Pacientes mais sensíveis sentem leve lacrimejamento. É tudo.

Crianças, pacientes com fobia de procedimentos médicos e idosos com Parkinson costumam tolerar o exame completo sem dificuldade. Em casos pediátricos com colaboração difícil, conversamos a possibilidade de exame sob sedação leve em ambiente hospitalar — raro.

08

De quanto em quanto tempo repetir.

A periodicidade depende do estágio da sua retinopatia. De forma resumida: paciente sem retinopatia, anual; com retinopatia leve, semestral; com retinopatia moderada a grave, trimestral; durante gestação, intervalos mais curtos. A discussão completa — incluindo DM1 e DM2, gestação, controle ruim, edema macular tratado — está na página dedicada: quanto tempo o diabético deve esperar entre exames.

09

O que o Dr. Hamade entrega.

Ao final da consulta, você sai com material concreto na mão e na nuvem:

  • Laudo escrito. Documento clínico formal, datado e assinado, com classificação do estágio da retinopatia (ausente, leve, moderada, grave, proliferativa) e do edema macular (ausente, focal, difuso, com tração).
  • Imagens impressas e digitais. Retinografia colorida de cada olho e impressão do OCT macular. Você sai com o documento físico e recebe link da nuvem para compartilhar com endocrinologista e cardiologista.
  • Plano de cuidado. Definição clara: observar em quantos meses, tratar com anti-VEGF ou laser, referenciar para cirurgia de vítreo, comparar com retinografia anterior se houver. Sem ambiguidade.
  • Carta para o endocrinologista. Sob solicitação, escrevemos comunicação direta para o endocrinologista assistente, alinhando achado oftalmológico ao manejo metabólico. Esse fluxo de informação salva visões.
"O exame não é o que se vê — é o que se faz com aquilo que se viu."
10

Quando o exame muda o tratamento.

Há três cenários clássicos em que o exame de fundo de olho redefine o curso clínico:

Retinopatia moderada que evolui para proliferativa em meses. Em pacientes com controle ruim, especialmente DM1 jovens com HbA1c acima de 9, retinopatia não-proliferativa moderada pode progredir para proliferativa em três a seis meses. Sem fundoscopia regular, o paciente chega à emergência com hemorragia vítrea — e aí estamos correndo atrás. Com fundoscopia em janela, identificamos a transição precoce e indicamos panfotocoagulação a laser ou anti-VEGF antes da catástrofe.

Edema macular oculto, sem sintoma. O OCT macular detecta edema com 100 mícrons antes que o paciente perceba qualquer queda de visão. Iniciar anti-VEGF nessa janela preserva acuidade. Esperar pelo sintoma significa começar com edema de 400-500 mícrons, e a recuperação visual a partir desse ponto é incompleta na maioria dos casos.

Retinografia comparativa ano a ano. O fato de comparar a foto deste ano com a do ano passado revela evolução que escapa ao olho clínico isolado. Pequenos focos de exsudação, novos microaneurismas, áreas de exsudato em expansão. A fotografia comparada é o que dá objetividade ao seguimento e remove subjetividade da decisão de tratar.

11

Plano de saúde e particular.

A maioria dos planos de saúde brasileiros cobre o pacote essencial do exame de fundo de olho para diabéticos. Os códigos TUSS comumente cobertos são:

  • Fundoscopia (mapeamento de retina) — TUSS 41501050. Cobertura praticamente universal. Inclusa na consulta.
  • Retinografia colorida — TUSS 41001168. Cobertura ampla, em geral sem necessidade de autorização adicional.
  • Tomografia de coerência óptica (OCT) — TUSS 41101319. Cobertura ampla com indicação de retinopatia ou suspeita de edema macular. Pode exigir senha.
  • OCT-Angiografia — TUSS 41101327. Cobertura mais recente, em consolidação. Vale verificar com o plano.
  • Angiofluoresceinografia — TUSS 41001125. Cobertura plena com indicação clínica formal de retinopatia proliferativa ou suspeita de edema cistoide.

Para atendimento particular, oferecemos pacote integrado de consulta + imagens, com valor único, sem surpresa. Solicite pelo WhatsApp e enviamos o orçamento personalizado em poucas horas.

12

Onde fazer.

O Dr. Ahmad Hamade atende em duas cidades, dois consultórios:

  • Campinas — Cambuí. Consultório de referência, com retinógrafo, OCT, OCT-A e estrutura completa de fundoscopia. Atendimento de pacientes de toda a região metropolitana de Campinas e interior paulista.
  • São Paulo — Pari. Consultório dedicado a pacientes da capital e Grande São Paulo, com a mesma estrutura técnica e mesmo padrão de cuidado.

Detalhes de endereço, horário e formas de chegada estão na seção de encontros do site principal. O agendamento é feito por WhatsApp, em qualquer um dos dois consultórios.

Agendamento direto

Agende seu exame com o Dr. Hamade.

Perguntas frequentes

O que perguntam sobre o exame.

Não. O exame de fundo de olho para diabéticos não exige jejum. Coma normalmente e tome a medicação habitual de manhã. Jejum prolongado em diabético insulino-dependente pode disparar hipoglicemia, e isso é perigoso — venha alimentado e estável.

Sim, sem qualquer restrição. O exame não interfere com insulinoterapia. Mantenha sua rotina habitual de aplicação e mensure a glicemia antes de sair de casa. Caso esteja com hipoglicemia, repor carboidrato e remarcar — sintoma visual de hipo confunde a refração.

Não. Nenhuma etapa do exame é dolorosa. Os colírios anestésicos para tonometria e os colírios cicloplégicos para dilatar a pupila podem arder por dois a três segundos no momento da instilação. A fundoscopia, a retinografia e o OCT são totalmente indolores.

O exame completo dura entre 40 e 60 minutos. A maior parte do tempo é a espera da pupila dilatar — cerca de 15 a 20 minutos após o colírio. As imagens (retinografia e OCT) são captadas em poucos minutos. A conversa de resultados consome de 10 a 15 minutos.

Sim, fortemente recomendado. A pupila fica dilatada por 4 a 6 horas, e nesse intervalo a visão de perto fica embaçada e a sensibilidade à luz aumenta muito. Não é seguro dirigir. Venha com acompanhante, em transporte por aplicativo ou em transporte público com óculos escuros.

Sim. Tire as lentes de contato pelo menos uma hora antes do exame. A refração e a biomicroscopia exigem córnea livre. Traga as lentes em estojo com solução para recolocá-las depois — embora, com pupila dilatada, recomendemos óculos pelo restante do dia.

O valor varia conforme exames complementares necessários (OCT, OCT-A, retinografia, angiografia). Entre em contato pelo WhatsApp para receber orçamento personalizado de consulta inicial e exames de imagem. Pacientes com retinopatia já diagnosticada costumam fazer o pacote completo de imagem em uma única visita.

Sim. A maioria dos planos cobre fundoscopia (TUSS 41501050), retinografia colorida (TUSS 41001168) e OCT macular (TUSS 41101319). OCT-A e angiofluoresceinografia também têm cobertura conforme indicação. Verifique a rede credenciada do seu plano e a necessidade de autorização prévia para imagens.

Sim. Crianças com diabetes tipo 1 devem iniciar acompanhamento oftalmológico anual a partir dos 11 anos ou após 5 anos de doença, o que vier antes. O exame é o mesmo, com colírios em dose ajustada e avaliação acompanhada pelo responsável. Sedação raramente é necessária.

A periodicidade depende do tempo de doença, do controle glicêmico e do estágio atual da retinopatia. Diabético sem retinopatia: anual. Retinopatia leve: semestral. Moderada a grave: trimestral ou conforme indicação. Veja a página completa sobre periodicidade em /quanto-tempo-diabetico-exame-vista.html.

Próximo passo

O exame que antecipa a cegueira em uma manhã.

Agendar pelo WhatsApp